GALERIA DE INFORMAÇÕES SOBRE WICCA
TRADIÇÕES E SIMBOLOGIA DA RODA DO ANO
A palavra
Sabbat vem do grego Sabatu que significa “descansar”.
Os Sabbats são as 8 celebrações mais importantes do calendário
litúrgico Wiccaniano que representam o eterno ciclo de nascimento,
vida e morte do Deus Cornífero que é o próprio Sol. Isto é a
personificação do antigo calendário agrícola europeu de plantio,
fertilização e colheita.
A celebrações do Sabbats era então o momento onde os homens agradeciam
aos Deuses pela colheita e garantiam a continuidade da abundância
através dos rituais.
A Roda do ano é divida entre 4 Sabbats maiores chamados de Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas que celebram o ciclo agrícola da Terra, marcando a semeadura, o plantio e a colheita, cujo nome e origem são Celtas e 4 menores nomeados de Yule, Ostara, Litha e Mabon, que marcam os Equinócios e Solstícios e a trajetória do sol pelo céu.
Conheça as tradições e simbologia das celebrações:
SAMHAIN: celebrado em 01 de maio no Hemisfério Sul e 31 de outubro no Hemisfério Norte
Samhain é a data Pagã mais importante e marca o ano novo Wiccaniano.
Para os antigos Povos este era considerado não só um momento de poder, mas também o tempo em que o véu que separava o mundo encontrava-se mais fino e os Deuses e ancestrais podiam se encontrar com os homens.
Por ser a celebração dos ancestrais, este Sabbat fala também da morte que para os Pagãos é encarada como parte da vida, sempre abrindo caminho para o novo. Neste Sabbat todos os que morreram são relembrados e seus espíritos são convidados para fazerem parte dos rituais como convidados de honra.
Como a morte lembra finalização, neste Sabbat fazemos uma profunda reflexão sobre o término das relações, trabalhos e períodos da vida que precisam passar e também aquilo que precisamos deixar ir.
Uma das Tradições deste Sabbat consiste em deixar um prato e lugar na mesa para os ancestrais bem como acender uma vela laranja à meia noite para guiar os espíritos em sua viagem à Terra.
É a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já tenham partido para o País de Verão[1]. Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual é muito tênue e o contato com nossos ancestrais é facilitado. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte e assim o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. Samhain era o dia no qual começavam o Ano Novo celta e o inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.
YULE: celebrado no Solstício de Inverno que ocorre por volta de 20 de junho no Hemisfério Sul e por volta 20 de dezembro no Hemisfério Norte.
Este é o momento de celebrar o retorno do Sol.
Depois das longas noites de inverno, a partir deste momento o Sol voltará a brilhar e os dias serão mais longos do que as noites.
Para os povos antigos o clima era algo extremamente importante, uma vez que passavam a maioria do tempo ao ar livre. Exatamente por isso, o Solstício de Inverno era uma data reverenciada pois anunciava a promessa do retorno do sol, da luz e da fertilização da vida. O Deus com a Criança da Promessa(o sol nascente e crescente) era celebrado para trazer calor e luminosidade.
Yule assinala a esperança de um novo tempo, abrindo caminho para as inúmeras possibilidades.
Era celebrado com luzes, fogo e a tradicional árvore de Yule com enfeites e bolotas de carvalho, que posteriormente foi assimilada pelo Cristianismo e se transformou na árvore de natal.
A Tradição deste Sabbat é confeccionar uma Yule Log(Tora de Yule) onde 1 vela branca, uma preta e uma vermelha(representando as 3 faces da Deusa) são colocadas ao meio de um pequeno tronco deitado e acesas enquanto fazemos nossos pedidos. O Yule Log é guardado até o ano seguinte onde deve ser queimado.
Yule Representa o retorno da luz, quando na noite mais fria do ano a Deusa dá a luz ao Deus Sol, a Criança da Promessa. Com isso as esperanças renascem e Ele traz fertilidade e calor à Terra.
IMBOLC: celebrado em 01 agosto no Hemisfério Sul e 02 de fevereiro no Hemisfério Norte.
A Palavra Imbolc significa no leite e marcava o período de lactação das ovelhas e gados na Europa.
Era o momento mais frio do ano onde não existia mais lenha disponível para as fogueiras, tão comuns nas celebrações dos Sabbats. Elas então tomavam forma nas procissões de velas que percorriam o arado para purificar a terra para o plantio das novas sementes.
Este também era o dia consagrado á Brigit, a Deusa celta do fogo, lar e família. Ela também era uma Deusa da cura e fertilidade.
As muitas velas representavam o poder e a luz do sol que se aproximava com a chegada da primavera.
Um costume tradicional deste Sabbat é colher um ramo verde e deixá-lo pendurado em algum lugar dentro de casa para abençoá-la com novas energias.
Imbolc é o festival que celebra a luz nas trevas. É o momento ideal de banirmos nossos remorsos, culpas e planejarmos o futuro. A Deusa está cuidando de seu bebê, a Criança do Sol (o Deus). Ela e seu filho afastam o inverno e o Deus cresce forte e poderoso. Nessa celebração a Deusa Brigit, Senhora do Fogo, da vida, do conhecimento era honrada e todos agradeciam por Ela ter mantido o Fogo das lareiras aceso durante as noites escuras e frias do inverno.
OSTARA: celebrado no Equinócio da Primavera que ocorre por volta de 20 de setembro no Hemisfério Sul e por volta 20 de março no Hemisfério Norte.
O Equinócio da Primavera celebra a renovação da Terra e a chegada das flores.
O Equinócio da Primavera foi celebrado por inúmeras culturas através da história. Festivais para Hathor no Egito, Afrodite em Chipre, Eostre na Escandinávia, Olwen na Bretanha entre os Celtas são algumas das celebrações que ocorriam nesta época do ano.
Em Ostara a Deusa se apresenta como a Donzela da Primavera e o Deus como um jovem guerreiro. Sua união será consumada em Beltane onde a Deusa como a Terra e o Deus como o Sol trarão a germinação das sementes plantadas na época da Primavera após se unirem.
Uma das Tradições de Ostara é pintar ovos com símbolos e cores que representam o nosso desejo e depois plantá-los ou depositá-los no pé de uma árvore frondosa e florida. O ovo representa a semente de nossos sonhos e desejos que quando deixada sobre a Terra germinará nos concedendo bênçãos.
Ostara representa o momento de união e amor entre a Deusa (Lua) e o Deus (Sol), pois é um período de igualdade e equilíbrio entre as forças da natureza. Isso indica também que é o momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade entre homem e mulher. É o momento de “plantar” e cultivar nossas “sementes”.
BELTANE: celebrado 31 de outubro no Hemisfério Sul e 01 de maio no Hemisfério Norte.
Beltane, que pode ser traduzido literalmente como “Fogo de Bel”[2] é a celebração máxima do fogo.
Esta era a festa que celebrava o meio da primavera e preparação para a chegada do verão e consequentemente da fertilidade esperada para o próximo ano.
Neste Sabbat eram escolhidos um homem e uma mulher para representar a Senhora e o Senhor da Primavera, em alusão a Deusa e ao Deus. O gado e as pessoas passavam pelo fogo para serem purificados, ao mesmo tempo que a fumaça assegurava a fertilidade e bênçãos.
Neste período o Deus atinge a força e a maturidade para se unir à Deusa e juntos trazerem calor, luz e germinação às sementes da terra que serão colhidas em Lammas.
Uma das Tradições deste Sabbat é colher 9 gravetos de árvores diferentes, enfeitá-lo com lindas fitas e flores, queimando-o no fogo enquanto fazemos um pedido.
É tempo de celebrar a vida em todas as formas. É o momento de dar boas-vindas ao verão, momento de equilíbrio, no qual nos despedimos das chuvas, e as colinas e vegetações atingem tons dourados.
A Deusa e o Deus, estão em plena vitalidade e amam-se com toda intensidade. É o momento da união entre os princípios masculino e feminino da criação, a união dos meios de todos os poderes que trazem a vida a todas as coisas.
Um dos símbolos mais conhecido associado a este Sabbat é o Mastro de Beltane, que representa o falo do Deus. Ele sempre é ornado com uma coroa de flores que representa a vulva da Deusa enquanto fitas multicoloridas são entrelaçadas pelos participantes, umas nas outras, até que todo o mastro esteja revestido por elas, representando a união da Deusa e do Deus.
LITHA: celebrado no Solstício de Verão que ocorre por volta de 20 de dezembro no Hemisfério Sul e por volta 20 de Junho no Hemisfério Norte.
Litha representa o apogeu do Sol, uma vez que é o Solstício de Verão. Este é o dia mais longo do ano, mas a partir daqui as noites serão mais compridas do que os dias, trazendo paulatinamente o inverno à Terra.
Neste dia, o Deus atinge a maturidade e era celebrado com grandiosas fogueiras pelos povos celtas. As fogueiras representam o grande poder do Rei Solar, concedendo mais energia ao astro para que o Verão durasse mais tempo e que o inverno não fosse tão rígido.
Os Pagãos sempre reconheceram o poder de força e criação do Sol, assim como muitos grupos religiosos. Este é o tempo ideal de celebrar a vida e o crescimento.
Uma das tradições do Solstício de Verão consiste em colher flores em um parque, bosque ou jardim e levar até uma fonte cristalina oferecendo-a ao Povo das Fadas que são facilmente acessados nesta data.
Em Litha Celebramos a abundância, a luz, a alegria, o calor e o brilho da vida proporcionados pelo Sol. Nesse instante o Sol transforma as forças da destruição com a luz do amor e da verdade. Litha é o auge do poder do Sol, a Deusa foi fertilizada pelo Deus. A partir de agora o Deus Sol começará lentamente a sua caminhada rumo ao País de Verão e morrerá em Samhain.
LAMMAS: celebrado em 01 agosto no Hemisfério Sul e 02 de fevereiro no Hemisfério Norte.
Lammas, também conhecido como Lughnashad, é o Sabbat da primeira colheita, momento em que os primeiros grãos eram colhidos, pães eram feitos e a fartura voltava a reinar.
Neste momento oferendas de agradecimento aos Deuses eram feitas, grãos eram consagrados para serem plantados posteriormente e o Deus era celebrado como o Senhor dos grãos que fazia o seu primeiro sacrifício para nutrir os filho da Deusa.
Uma das tradições deste Sabbat é fazer uma boneca de milho ou trigo e colocá-la em algum lugar da casa para representar a Deusa como a Senhora da colheita. Acredita-se que isto assegura a continuidade da abundância em nossas vidas.
Lammas é o festival celta em homenagem ao Deus Sol (Lugh). Ele agora se transforma no Deus das Sombras, doando sua energia às sementes para que a vida seja sustentada, enquanto a Mãe se prepara para assumir o papel de Anciã. Esse poderoso ritual enfatiza a relação do fogo com os Deuses da vida e a centelha da criação. Lammas é o tempo de dar gratidão pelo que você começou a receber e sacrificar o que você puder para receber mais.
MABON: celebrado no Equinócio de outono que ocorre por volta 20 de março no hemisfério sul e por volta de 20 de setembro no Hemisfério Norte.
Mabon é o Equinócio do outono e marca o festival da segunda colheita.
Agora o Sol caminha mais rapidamente em direção ao inverno e o plantio feito em Ostara chega agora à sua colheita final iniciada em Lammas. É hora de agradecer pela abundância, fartura e também reconhecer o equilíbrio da vida, pois nos equinócios dia e noite possuem o mesmo tempo de duração.
Era o momento onde os povos antigos começavam a estocar seus alimentos e armazenar os grãos para que houvesse comida suficiente durante o período de inverno.
Mabon é o festival de ação de graça Pagã onde lembramos as conquistas alcançadas. Por isso, uma das Tradições deste Sabbat é colocar um cálice com vinho ao meio da mesa do almoço ou jantar e deixá-lo passar de mão em mão enquanto cada pessoa presente faz seus agradecimentos e desejos de felicidade.
Mabon é o tempo do equilíbrio, gratidão, agradecimento, meditar sobre a escolha dos nossos projetos e agradecer tudo que obtivemos no ano que passou. A morte do Deus está por vir pois ele doou todos os seus poderes aos humanos através das colheitas
FINALIZANDO...
Existe muito simbolismo na Roda do Ano e ao entendê-la, assimilá-la e integrá-la ao seu modo de vida você estará compreendendo a essência da Religião Wicca.
A Roda do Ano representa a forma como vemos o universo, celebramos os ciclos da natureza e entendemos seus reflexos em nosso viver.
Sempre girando, estes ciclos internos e externos irão retornar à sua fonte primordial de energia, ao seu início e começarão e terminarão muitas vezes mostrando que depois da morte sempre há renascimento. Isto é refletido no cair das folhas e florescer das flores; no germinar das sementes e colheitas dos grãos semeados, consumidos e replantados; no apogeu e declínio do Sol.
Atualmente, com os avanços científicos e tecnológicos, pode ser difícil compreender como uma religião de civilizações agrárias antigas pode fazer sentido nos tempos modernos e o que ela pode nos oferecer.
Para responder esta questão basta olhar ao nosso redor. Se fizermos isso acuradamente, perceberemos que independentemente de nossa vontade as estações continuam mudando e que a força da natureza é infinitamente maior do que todos os avanços alcançados pelo homem moderno.
Conhecendo o que acontece no mundo e ao nosso redor, alcançaremos um grande entendimento de onde viemos, onde chegamos e as possibilidades que nos aguardam.
A Roda nos mostra que o universo reflete o ciclo da mudança sempre em constância.
CELEBRANDO UM SABBAT
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Cada um de nós podemos e devemos celebrar a Roda do ano, pois ela reflete não só a mudança da natureza mas também nossos ciclos internos e externos.
Quando integramos às celebrações dos Sabbats em nossas vidas nos ligamos diretamente e integralmente à natureza. Consequentemente isso nos traz paz, tranqüilidade, harmonia e equilíbrio pois buscamos em nossa memória ancestral a reconexão com as mesmas forças um dia invocadas por aqueles que nos antecederam.
Para celebrar um Sabbat você não precisa possuir grandes conhecimentos teóricos sobre os mitos, contextos históricos e tradições destas datas porque estas informações estão dentro de você. Elas só precisam ser despertadas.
Para acessá-las basta observar a natureza ao seu redor e retirar dela elementos que sejam simbólicos para você e que poderão fazer parte de uma pequena cerimônia realizada para marcar a mudança de uma estação ou celebração de um ciclo.
Assim ao observar a Primavera, você pode identificar que nesta época o céu torna-se intensamente azul celeste, as flores vermelhas, amarelas e brancas abrem trazendo uma multiplicidade de cores e aromas que o rodeia.
Todos estes elementos podem fazer parte de um ritual para celebrar a chegada da estação usando as cores do céu e das flores nas velas, roupa ou pano para cobrir seu altar, os aromas mais freqüentes podem assumir a forma de incensos ou óleos para ungir e purificar o corpo e por ai vai...
Após acender as velas e incensos, você pode ungir o seu corpo com o óleo procurando se conectar com a natureza que viceja ao seu redor, visualizando as mudanças que ocorrem nela e em você, meditando profundamente sobre isso.
Quais transformações internas decorrentes desta mudança de ciclo ocorrem em seu interior?
Como você via o mundo há alguns meses e como o percebe agora?
Como as pessoas ao seu redor se comportam nesta estação? Isto te afeta de alguma forma?
Depois de meditar você pode ler uma poesia feita por você oferecendo-a à Deusa e ao Deus. Você ainda pode cantar, dançar ou simplesmente ficar em silêncio, ouvindo sua voz interior e finalizar agradecendo aos Deuses por mais um giro na Roda e por todas as bênçãos concedidas.
Observando a natureza que o rodeia, você poderá comemorar os 8 Sabbats realizando lindos rituais.
Na Wicca os rituais criados por você mesmo têm muito mais poder e valor do que aqueles lidos, memorizados e copiados de livros.
Conforme você for exercitando a arte de criar rituais, mais bonitos e elaborados eles se tornarão. Para maiores detalhes e idéias sobre a criação de rituais, você poderá consultar o link Como Ritualizar
Cada um de nós somos uma fonte de inspiração e criação e por isso devemos colocar nossas habilidades à disposição dos Deuses, construindo rituais e cerimônias para celebrar a mudança da vida que acontece dentro e fora de nós.
[1] País de Verão é como se chama o Outromundo Pagão, um lugar de descanso e alegria onde as almas resgatam suas energias entre uma encarnação ou outra.
[2] Bel é um antigo Deus celta do sol.
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