GALERIA DE INFORMAÇÕES SOBRE WICCA
A NATUREZA DA
DIVINDADE
Muitos Wiccanianos honram e cultuam múltiplas divindades. O
entendimento do que os Deuses são de verdade varia enormemente entre
as pessoas e Tradições. Estes seres podem ser vistos como diferentes
aspectos ou partes da Deusa ou entidades separadas Dela. Alguns
compreendem os Deuses como seres sobrenaturais, forças da natureza
ou arquétipos.
Alguns Wiccanianos honram e cultuam a Deusa e/ou o Deus e não se
sentem forçados ou inspirados a nomeá-los. Outros, sentem fortemente
que devem nomear seus Deuses para honrá-los, cultuá-los e interagir
com eles.
Uma vez que o inconsciente coletivo é inerente a todos os povos da
terra, os muitos mitos que as diversas culturas produzem são
semelhantes, mesmo que estes grupos estejam completamente separados
pelo tempo e regiões. No interior do inconsciente coletivo estão
presentes os arquétipos, ou seja, as figuras que aparecem
constantemente nos mitos e religiões de todos os povos : a Grande
Mãe, o pai céu, o guerreiro, a criança divina etc. No interior deste
universo pessoal vive também um arquétipo que Jung nomeou de “Self”.
Esta é a parte de nós que está além de nosso Eu cotidiano, é aquela
parte de nós que sobrevive além da morte do corpo. É com este
material do inconsciente coletivo que a Wicca trabalha: o arquétipo
dos Deuses, o Self e relação entre eles.
Os arquétipos dos Deuses servem como arquétipos duplos de forças
divinas que se movem no universo e no mundo exterior, mas ao mesmo
tempo são arquétipos de nossa própria divindade interior, o Self.
Quando invocamos a Deusa e o Deus nos sintonizamos com a centelha
divina dentro de nós.
Este conceito, de que estamos ao centro de nossa Divindade, é
difícil para ego alcançar. Geralmente vemos o Divino dentro de nós
como uma divindade e externa, mas ele é a manifestação da
divinização da Divindade interior , daquilo que somos e não a
Divindade exterior .
Somos tanto humanos quanto Divinos e em nossos encontros iniciais
com o Self, podemos percebê-lo não como um Deus ou Deusa mas na
forma arquetípica de seres espirituais que encontramos em nossas
jornadas meditativas. Geralmente nesses momentos encontramos com a
figura do sábio ou da sábia que aparece em nossos sonhos e jornadas
de meditação. Na realidade esta figura que se apresenta à nós nessas
ocasiões é o próprio Self.
Os primeiros encontros com o Self através dos processos de invocação
podem ser problemáticos, pois o contato com essa essência divina
pode criar em nós a sensação de onipotência. Isso acontece porque no
decorrer dessa experiência mística, um arquétipo pode seqüestrar o
ego. Nessas ocasiões o arquétipo aparece de maneira estranha, como
se não pertencesse à consciência e se nos identificarmos com ele,
isso poderá causar altos danos mudando nossa personalidade,
geralmente causando a megalomania ou o seu oposto.
A identificação com um arquétipo particular de uma Deusa ou um Deus
é o centro dos rituais religiosos e mágicos de muitas religiões,
inclusive da Wicca. Invocações criam uma mudança temporária dentro
de nós, mas a função de todos os sistemas espirituais é tornar essa
mudança permanente. Quando puxamos a lua ou o sol para baixo, por
exemplo, fazemos uma ponte entre o nosso eu cotidiano, o ego e o
nosso Eu Divino. Quanto mais acessarmos este Self através da
invocação, mais e mais esta ponte se fará permanente até que a
cruzamos e em vez do nosso ego alcançar o contato com o Self, o
centro de nossa consciência seja transferido para ele.
Se o Divino está dentro de nós, ele é meramente psicológico, uma
construção imaginária? As formas e externas dos Deuses são reais?
Podemos dizer que o que estamos personificando de maneira refletir
nosso eu inconsciente é o poder da força divina em termos de
símbolos.
Na Wicca podemos dizer que aquilo que está por trás da imagem é uma
realidade divina. Estas imagens não são suposições, são verdadeiras
expressões da natureza do Divino traduzidas em termos humanos e nós,
conseqüentemente, as tratamos com respeito e honra. A total natureza
desta realidade está além do nosso entendimento humano e nós, por
sua vez, vestimos esta realidade multifacetada em imagens
arquetípicas que são expressão da verdade, mas não da verdade
completa
Os Deuses são considerados expressões do Divino dentro da
humanidade. Os Deuses também são considerados forças divinas
operando no universo. Se eles são vistos como aspectos de uma força
vital impessoal ou como seres cósmicos com uma individualidade, irá
depender de nossa própria experiência interna e cada pessoa irá
interpretar isso de maneira diferente. Porém, na Wicca,ambos os
conceitos da natureza do Divino em repousam nas antigas
interpretações pagãs de dois grupos de filósofos gregos: os
Neoplatônicos e os Estóicos.
Os Pagãos Neoplatônicos viam o Divino como um ser que era de uma
natureza diferente da humanidade, fora do mundo criado da
transcendência. Os Estóicos acreditavam que o universo era Divino
por si só e que os seres humanos eram parte desta divindade. Na
Wicca contemporânea a maioria das pessoas aceita que o Divino é
imanente, enquanto outras pessoas acreditam que ele também é
transcendente.
Macha Nightmare explica isso muito bem em um trecho do seu livro
Witchcraft and the Web:
'' Muitos de nós experienciamos o Divino como imanente, em vez de
transcendente, porém podemos também experimentar o Divino em formas
que transcendem e de maneira que transformem. Vemos a divindade
dentro do mundo e como o mundo; o mundo não está separado do
sagrado. Em um de seus livros o Alto Sacerdote Gardneriano, Gus
diZerega nota que “o mundo nunca está completamente separado do
Sagrado, e então ele possui intrínsecos valores que somos obrigados
a respeitar, e que é um pouco independente de nossas próprias
preferências.” Ele mais pra frente explica: “Quando vemos a
espiritualidade Pagã como um todo, iremos encontrar uma extensa
ênfase ao longo deste ponto. Algumas pessoas irão enfatizar a
dimensão Divina transcendente...Outros irão enfatizar mais as
dimensões espirituais imanentes...Mas ao menos todas as tradições
Pagãs reconhecem a existência de ambas dimensões.”
Panteístas vêem o Divino em tudo, acreditando que o Divino é
onipresente. Eles concebem o universo físico como Divino em sua
totalidade. Uma de suas visões é a imanência.
Panenteístas, no entanto, concebem o Divino das duas formas como
transcendente e imanente. Irei descrever a mim mesma como sendo
panenteísta. Percebo a Deusa preenchendo e imbuindo todas as coisas,
incluindo meu próprio ser. Eu a vejo na vasta visão do horizonte do
ponto mais alto, em rios cintilantes, nos gansos que migram e em
passeios pela calçada na cidade; ela existe para mim nas latas de
lixo, no correr das ratazanas, e nos rubis brilhando em vermelho;
Ela está lá na aurora boreal, em bosques de sequóias, e na bolsa de
uma mulher. Eu a ouço nos ruídos de uma estrada e nos ruídos do mar,
no grito estridente da presa do falcão e no arrulhar do pombo. Seu
aroma surge de um amontoado de esterco e do jardim de rosas, do
pântano e da lótus. Eu a respiro a cada respiração, e caminho no
tempo com o seu caminhar.
Se Panenteísta é um termo apropriado para descrever minhas crenças e
experiência, politeísta também é. [.....]
A maioria do tempo, percebo as deidades como sendo separadas de mim
mesma, entidades para se aproximar com reverência e tratar com honra
e dignidade- exceto por aquelas entre elas que não têm nada a ver
com dignidade. Mas algumas vezes surgiram circunstâncias onde
chamava o Divino para falar através de mim. Desde o início, o
Divino, quando se manifestou no meu corpo, foi feminino [.....]
Quando experimento a mudança de consciência que me transforma em
alguma deidade manifestada no meu corpo, me sinto extática, no
sentido que eu saio de meu estado normal. A mortal Macha retrocede
em mim e permite ao Divino falar. Nessas circunstâncias, minha
experiência do Divino é transcendente. Transcendo meu eu humano e me
abro para a divindade.
Vamos olhar para mais um dos “teísmos”: o Henoteísmo.
O Henoteísmo trabalha com um conjunto particular de deidades,
enquanto não nega a existência de outras. Posso alegremente
trabalhar com um único grupo de Deuses, um panteão étnico
particularmente- em outras palavras caminhar pela estrada do
henoteísmo- quando estou com pessoas que façam desta forma. Tenho
dois amigos que, como Sacerdotisa de Hécate e Sacerdote de Hermes,
construíram um templo onde realizam rituais de lua negra para as
duas divindades, Esta é sua prática religiosa regular. Poderia
chamar isso um exemplo de henoteísmo.
Gus diZerega nos diz que, uma vez que vemos o mundo como uma
dimensão da divindade, ao contrário de estar separado dela,
naturalmente buscamos por outras fontes além de textos para
legitimar o conhecimento e discernimento espiritual.
Alguns Pagãos e Bruxos não “acreditam” em nenhuma deidade, mas ainda
assim acreditam ser benéfico falar com e para elas e trabalhar com
as mesmas no contexto de um ritual em grupo. Refletindo sobre nossas
atitudes a cerca das deidades, Erik Davis observa que “muitos Pagãos
abraçam estes entidades com uma combinação de convicção e
frivolidade, superstição, psicologia e materialismo demais.” São
nossas praticas compartilhadas, apesar de nossas crenças
individuais, que mantêm nossa comunidade unida.“
Como podemos ver, um praticante da Arte pode perceber o Sagrado de
diferentes maneiras. O importante não é a maneira como vemos e
compreendemos, mas sim se o nosso contato com ele é efetivo e capaz
de promover mudança interior e cura de nossa alma.
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